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Morte da transexual Bruna completa 7 meses sem qualquer culpado. (Foto: Reprodução)

Esta sexta-feira (17) é o Dia Nacional da contra LGBTfobia – que reúne o preconceito por pessoas homossexuais, bissexuais e transexuais. Em uma ação estadual a Associação Sergipana de Transexuais e Travestis (ASTRA) realizou, em janeiro, audiências com o intuito de protocolar um dossiê realizado pela Rede Trans Brasil contendo os resultados do monitoramento de assassinatos dessa população em todo país. Para além do relatório, a Astra destacou que Sergipe está entre os estados mais violentos contra transexuais, ficando, proporcionalmente, em segundo lugar no país e em primeiro no nordeste.

No documento entregue cujo título é “Relatório da Astra sobre violações de Direitos e assassinatos de pessoas trans de Sergipe em 2018“, a organização relata que no ano ao menos 5 transexuais e travestis foram mortas no estado por crime de transfobia. Empatados em primeiro lugar, Lagarto e Nossa Senhora do Socorro contabilizaram cada, dois assassinatos – tendo o município do centro-sul registrado ainda o espancamento de uma terceira vítima. Dados colocam Lagarto como sendo o município que mais viola e assassina transexuais no estado que figura nas primeiras colocações do mesmo quesito. O relatório não expõe números nacionais.

Entre as mortes registradas está a de Bruna. Vitimada na noite de 25 de junho por arma de fogo em sua casa no bairro em que morava – Novo Horizonte – até hoje a Polícia Civil não conseguiu elucidar o crime. Fato completou sete meses na última sexta-feira sem a prisão de qualquer suspeito.

Cerca de um mês após o assassinato de Bruna, Gurita Santana foi espancada enquanto voltava do trabalho. (Foto: Reprodução)

O documento critica ainda a falta de diálogo da Secretaria de Saúde de Lagarto, a falta de políticas públicas na cidade e parabeniza “a força de vontade de profissionais” que seriam os únicos responsáveis, já que não há investimento, para a manutenção do Ambulatório Trans no município.

Em Aracaju, a OAB e o Ministério Público estão organizando eventos independentes com o intuito d eleva-te dos direitos da comunidade LGBT+. Uma das intenções é pontuar a necessidade do Legislativo aprovar políticas públicas com caráter de lei que garantam a vida de transexuais e travestis em Sergipe. Vale que ressaltar que através de uma lei estadual aprovada em janeiro de 2012, “toda e qualquer forma de discriminação, prática de violência ou manifestação que atente contra a orientação sexual” alheia é passível de punição agravante. Texto foi sancionado por Marcelo Déda (PT).