A ministra do Agronegócio, Tereza Cristina, esteve em Lagarto durante o evento Expo Ringo, no Parque das Palmeiras. A ministra do governo Bolsonaro, que veio a convite do deputado federal lagartense Fábio Reis (MDB), foi responsável pelo crescimento exponencial no contigente de aprovações de agrotóxicos no país em apenas 3 meses de gestão.

Se Tereza chegou a beber da água proveniente das torneiras da cidade, fez então valer o ditado em que diz, “provou do próprio veneno”. É que segundo um estudo da Agência Pública e da organização suíça Public Eye, divulgado nesta segunda-feira (15), Sergipe tem 15 municípios com rede de abastecimento de água contaminada por 27 tipos de agrotóxicos, que podem causar doenças graves, a exemplo de câncer, malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas. Entre as cidades contaminadas, está Lagarto, onde os 27 venenos foram achados.

Problema é grave e atinge municípios do Centro-Sul como Salgado e Poço Verde. PRINT: O Papa-Jaca

O estudo também teve como base dados do próprio Ministério da Saúde e do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), que reúne os resultados de testes feitos pelas empresas de abastecimento. O “coquetel” que mistura diferentes agrotóxicos foi encontrado na água de 1 em cada 4 cidades do Brasil entre 2014 e 2017, totalizando mais de 1300 cidades. O Papa-Jaca entrou em contato com os dados a partir do Expressão Sergipana.

Em Sergipe, além de Lagarto, foi encontrado agrotóxico na rede de abastecimento dos municípios de Poço Verde, Boquim, Salgado, Itaporanga da Ajuda, Santo Amaro das Brotas, Rosário do Catete, Siriri, Ribeirópolis, Itabaiana, Japaratuba, Muribeca, Pacatuba, Neópolis, Propriá. De acordo com o estudo investigativo, os números revelam que a contaminação da água está aumentando a passos largos. Isso porque em 2014, 75% dos testes detectaram agrotóxicos. Subiu para 84% em 2015 e foi para 88% em 2016, chegando a 92% em 2017.

Vale ressaltar que na cidade, dos 29 testes realizados a cada vez, em 100% os mesmos 27 agrotóxicos foram encontrados. Destes, 11 estão associados a doenças crônicas e 24 estão acima do limite considerado seguro na União Europeia. Nossa equipe está tentando contato com a Companhia de Abastecimento de Sergipe (DESO) para prestar esclarecimentos. A empresa é a responsável pelo resolução do problema, mas não a causadora. A realidade, novamente, é fruto do modelo de agricultura brasileiro que permite o abuso no uso de venenos como modo de proteção financeira ao agronegociador.

Números lagartenses alçam contaminação máxima. PRINT: O Papa-Jaca

Confira a lista de agrotóxicos encontrados:

Desde 2014, centenas de vezes os órgãos realizaram os testes – cujo os resultados nunca foram divulgados pela mídia local. Em 2017, Lagarto atingiu o nível crítico de contaminação e permanece assim até hoje. Foram encontrados:

Alacor, Atrazina, Carbendazim, Clordano, DDT+DDD+DDE, Diuron, Glifosato, Lindano, Mancozebe, Permetrina, Trifluralina, Aldicarbe, Carbofurano, Clorpirifós, Aldrin, 2,4D+2,4,5T, Endossulfan, Endrin, Metolacloro, Molinato, Parationa Metílica, Pendimentalina, Profenofós, Simazina, Tebuconazol, Metamidofós.