O ex-vereador de Lagarto e também ex-presidente da Câmara, Wilson Fraga de Almeida, conhecido como Xexéu pelos mais próximos, foi convocado para prestar depoimento ao Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária (DEOTAP) – ligado à Polícia Civil – na esfera criminal das investigações contra o ex-prefeito de Lagarto, Valmir Monteiro (PSC).

“Você precisa de ‘R$ 10’ e eu preciso de R$ 2 milhões para mandar pra Brasília amanhã”.

Valmir foi preso preventivamente pela Operação Leak em 22 de fevereiro e, além dos crimes a qual está sendo indiciado, foi acusado pelos procuradores de tentar obstruir a Justiça ao sumir com provas quando, antecipadamente, soube da Operação. Além dele, estão presos dois empresários lagartenses e o ex-Finanças do município, Anderson Andrade – acusado de ser o ‘mentor financeiro’ do esquema que pode não estar ligado somente ao Matadouro Municipal.

De acordo com o próprio Ministério Público, Xexéu teria sido um dos pivôs da investigação criminal ao ter feito declarações numa emissora de rádio sobre posses de Valmir que não constavam no seu nome e que teriam sido adquiridas com dinheiro milionário suspeito. Novamente em entrevista à Aparecida FM, o ex-presidente da Câmara afirmou que “se eu for à Justiça, poderá ficar preso eu e ele”.

GAECO faz busca por provas materiais na Prefeitura da cidade. FOTO: Reprodução

Ainda no programa Sergipe em Destaque, Wilson declarou que o então gestor entregou um saco em dinheiro vivo, com pouco mais de R$ 2 milhões, para compra de uma fazenda do irmão de seu pai. Ao pedir a prisão de Valmir, o MP esclareceu que descobriu que a referida fazenda, antes pertencente ao tio de Xexéu, estava agora no nome do genro de Monteiro, Igor Ribeiro – o que o configuraria como um laranja no processo. Igor, porém, sequer possui renda suficiente para comprar a propriedade, já que depende de um salário por mês.

Em outro momento, o ex-vereador conta ao radialista Alex Dias que chegou a ir até Valmir, nas eleições de 2016, para pedir R$ 10 mil à campanha, mas a resposta teria sido, supreendentemente, a de que “você precisa de ‘R$ 10’ e eu preciso de R$ 2 milhões para mandar pra Brasília amanhã para [supostamente] pagar os advogados”. O depoimento está marcado para esta segunda-feira (22).