No município, 58% das escolas – estaduais e municipais – estão em estado de alerta no vermelho para o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) – feito pelo próprio MEC. Outras 24% estão em atenção. Sob a recomendação de “precisa melhorar” e “precisa manter”, respectivamente, apenas 12% e 6% das instituições de ensino.

Além disso, Lagarto não atingiu sua última meta IDEB municipal (4,6), em 2017, alcançando apenas a média 3,6. Sem contar, também, que o índice de reprovação permanece na casa dos dois dígitos; 16 a cada 100 estudantes da rede reprovam nos anos iniciais do ensino fundamental, enquanto 32 a cada 100 reprovam nas séries finais.

Escola, além de possuir piso tátil, também trabalha com a educação inclusiva dentro da sala de aula. FOTO: O Papa-Jaca

Em meio a este caos no ensino público, algumas escolas se destacam como um ‘oásis no deserto’. Entre elas está a Luiza Pereira do Nascimento Rodrigues: Após levar um tombo entre 2009 e 2011, ficando abaixo do índice em 2015, na última avaliação a escola ultrapassou a meta exclusiva (4,35) figurando com 4,45 na média das séries. Outro fator é que o índice de reprovação é de apenas um dígito tanto no anos iniciais, quanto nos finais – apenas 0,9 a cada 10 alunos reprovam.

A coordenadora de ensino fundamental II da escola, Maria das Graças, acredita que o sucesso da instituição “é fruto da valorização que se dá ao estudante”. Ao O Papa-Jaca, ela conta que o método de ensino e na tratativa na relação comunidade-escola também ajuda. Segundo ela, um exemplo claro, seria o diálogo estabelecido com os responsáveis dos alunos com nota baixa. “Sempre que uma criança apresenta sua relação bimestral de notas abaixo da média, nós enviamos uma convocação aos pais e mostramos a eles o que é possível fazer pelos filhos”, revela. A presença dos responsáveis na escola, então, é ponto central.

Estágio atual da horta hidropônica na Luiza Pereira. FOTO: O Papa-Jaca

No entanto, não é somente isso. Dois projetos da instituição marcam território. O primeiro, idealizado pela própria equipe diretiva, é o da Biblioteca – que hoje apresenta a maior estrutura estudantil do estado. O outro é recém-construído projeto de aquaponia para merenda escolar, idealizado pela Secretaria de Educação com recursos definidos para expansão em outros escolas – a exemplo da José Antônio dos Santos, no bairro Loiola.

O projeto, que soma a aquicultura com a hidroponia, utiliza peixes no método. Hoje, a escola cultiva tilápias que, ao passo em que filtram a água e fornecem suas fezes como adubo, também servem de alimento. O próximo passo é o cultivo de camarões. A partir desse método, diversos tipos de vegetais já são produzidos e a escola figura como a única do Norte-Nordeste a trabalhar com a rede. Os benefícios, para além do “aprendizado extra-classe de matemática e biologia”, nas palavras do secretário de Educação, Eduardo Maia, está também “na produção de um alimento orgânico sem agrotóxicos”, conta.