A proposta de reforma da Previdência Social está no debate brasileiro desde meados do Governo Temer. Fragilizado com duas denúncias do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o presidente desistiu de enviar o projeto ao Congresso. Somente após as eleições foi que o tema voltou ao centro das discussões macroeconômicas nacionais. O Papa-Jaca tem tentado incidir no debate municipalmente.

Em Lagarto, a atual proposta representa duros prejuízos, inclusive, às finanças. Não apenas o trabalhador será atingido com as alterações na aposentadoria rural, já que no Município – em 2018 – o abono camponês injetou 389% mais que o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), conforme dados coletados pela nossa equipe. Enquanto o FPM foi de R$ 36,9 milhões no ano, a participação da aposentadoria rural foi de R$ 144,2 milhões. O Papa-Jaca ainda não sabe qual é o prejuízo das alterações propostas ao Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Com o passar das semanas, parlamentares são pressionados a se posicionarem sobre a reforma proposta pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Em fevereiro, ao Jornal da Fan, Fábio Reis (MDB) – que é lagartense – declarou não ter avaliado a questão. No entanto, nesta terça-feira (9), foi a vez do deputado Gustinho Ribeiro (SD) ser indagado. Ao Blog do Max, ele respondeu que “da forma que está a Reforma da Previdência não terá meu apoio”.

Maria Alice, 48 anos, é lagartense, matriarca viúva e depende do BPC para sustentar a família. FOTO: Danniel Prata/OPJ

Ao jornalista, o parlamentar afirmou também que “com as alterações necessárias, que evitem jogar a responsabilidade nas costas do trabalhador, aí sim me posicionarei a favor de reestruturar o sistema previdenciário, que só em Sergipe tem um déficit anual de R$ 1,2 bilhão”. Gustinho especificou os pontos que discorda: A parte referente ao BPC, a aposentadoria rural e a criação do sistema de capitalização.

“Nosso partido não apoia o texto original da proposta. O Solidariedade e mais 12 legendas assinaram um documento muito importante que deixa claro as mudanças que o texto precisa sofrer, para assim votarmos a reforma da previdência”, finaliza. O MDB de Fábio também assinou o documento, mas Reis permanece sem posicionar-se.