Fotos de O Papa-Jaca

Em reportagem especial, O Papa-Jaca já havia revelado condições sub-humanas vividas pelos moradores da antiga Vila Operária das Onze Casas – no povoado Limoeiro. Entre as dificuldades está a falta de acesso a água potável e, com isso, as consequências à saúde de crianças e adultos que não têm, nem mesmo, um local apropriado para fazerem suas necessidades.

Segundo os moradores, a Companhia de Saneamento de Sergipe (DESO) cortou o abastecimento de água em virtude da falta de pagamento. Para eles, suas condições financeiras, que beiram – se já não estão – a extrema-pobreza, o impedem de pagar, no mínimo, regularmente, as contas cobradas pela estatal.

Nossa equipe não sabe se esta é a realidade de quase 15 mil dos lagartenses que também não são abastecidos pela DESO, mas, a partir de dados fornecidos pela companhia ao Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) – do extinto Ministério do Desenvolvimento Regional – sabemos que apenas 84.444 da cidade possui o abastecimento regular. Os índices, repassados à DESO, foram coletados pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas (SEMOP).

Populares das Onze Casas coletam água de tanque para consumo geral. FOTO: Danniel Prata/OPJ

Os números exibidos se alteraram apenas na casa das centenas, desde 2013. Levando em consideração que a quantidade total de habitantes em Lagarto gira em torno de 103 mil pessoas, ao menos 16% da população papa-jaca possui acesso ao abastecimento de água. Os dados coletados tiveram seu último registro em janeiro de 2018.

Ainda na mesma planilha, somente 6.328 dos munícipes teriam esgotamento sanitário. Números distanciam Lagarto de um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) alto (0,700 – 1,000). Com 0,625, no último ano analisado (2010), a cidade ocupa a 3587ª posição entre os 5.565 municípios brasileiros. No ano que vem, em 2020, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) deverá atualizar o ranking. Sergipe tem seu índice em 0,727.