Em reportagem especial que foi ao ar na noite desta quinta-feira (7) no Jornal Nacional – da Rede Globo – a jornalista sergipana Carla Suzanne coloca como protagonista uma mulher anônima que viveu 16 anos de silêncio diante de agressões e ameaças “até que ela resolveu dar um basta”.

“Quando eu saí de casa, fui para a casa de minha mãe. Ele me ligou, esculhambou de tudo, falou que estava indo para a casa da minha mãe para me bater, para quebrar meus dentes, para fazer o que ele queira. Foi nessa hora que resolvi ir para a delegacia e prestei queixa”, disse a mulher.

A queixa virou um acordo entre o casal. Ao invés de responder a um inquérito, uma vez por semana o ex-marido frequenta um grupo só para homens. O projeto em questão ganhou notoriedade por ter a intenção de servir de alternativa ao punitivismo estatal e impedir a agressão antes do primeiro empurrão, desde a agressão verbal seguida de ameaça.

Segundo a matéria, “os homens que foram denunciados por esse tipo de agressão estão no grupo para aprender a enxergar a mulher com outros olhos, com respeito. Uma mudança de comportamento que fez romper o ciclo da violência doméstica”.

“A ideia do grupo é uma mudança de atitude, de comportamento, mesmo que você não concorde. Está na lei”, diz a psicóloga aos homens. Sandra Aiaish Menta, doutora em psicologia da Universidade Federal de Sergipe, tem um papel fundamental. “Quando eles chegam ao grupo, a gente tem que sensibilizá-los para que aquilo que eles fizeram é algo que é uma agressão ao outro”, disse.

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Reportagem de Carla Suzanne foi ao ar na quinta-feira (7)

“A cada encontro, novas descobertas. Um homem que sequer admitia que era agressor está na sexta reunião e já mudou de atitude”, conta a jornalista. “Reconheço sim, reconheço que errei com ela. O grupo ajudou muito, graças a Deus”, disse. Mas se ele voltar a ser violento, não tem acordo.

“A gente vai trabalhando numa escalada: para os crimes mais simples, oferecendo a mediação. Houve descumprimento, a gente vai para investigação com medida protetiva. Se ele descumprir, a gente pede a prisão”, disse a delegada Ana Carolina Machado Jorge.

O projeto é uma parceria da Universidade Federal de Sergipe com a prefeitura e delegacia da cidade de Lagarto. Começou há seis anos e, nesse tempo, foi registrado apenas um caso de feminicídio na cidade. Pelo grupo já passaram mais de 300 homens e muitas foram as lições. “Estou aprendendo várias coisas. Se eu pudesse não errar, voltava para trás”, disse o homem.