Dados atualizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que as doações da indústria armamentista nas eleições gerais de 2014 chegaram a R$ 1,91 milhão, com valores distribuídos a 21 candidatos ao cargo de deputado federal – incluindo o lagartense Fábio Reis (MDB), 12 ao cargo de deputado estadual, dois pleiteantes ao posto de governador e um aspirante a senador.

Com as doações, a indústria de armas “compra acesso aos (futuros) congressistas, que farão projetos de lei que beneficiem o setor”.

– Marcello Baird, (ONG Sou da Paz)

Fábio foi o único no estado – entre os 11 parlamentares eleitos – a receber o financiamento da empresa de economia mista Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) – dona de quase 70% das ações da Forjas Taurus S.A.. O valor recebido foi o mais alto entre as doações do deputado naquele ano depois da Itaú Unibanco S.A. – banco pró-reformas. Foram R$ 30 mil depositados diretamente na conta de campanha de Reis.

Planilha de receitas de campanha de Fábio Reis em 2014 revela financiamento da indústria da bala e de bancos pró-reformas. PRINT: O Papa-Jaca

Além das doações diretas a candidatos, a CBC doou R$ 275 mil a quatro partidos, sendo duas vezes para o DEM. O PP e o MDB do Rio Grande do Sul receberam, cada um, R$ 50 mil. O maior valor foi pago ao DEM do Distrito Federal, que ganhou R$ 80 mil, seguido pelo DEM do Paraná, com R$ 75 mil. O PSC de Pernambuco recebeu o menor valor, R$ 20 mil.

Lobby

O cientista político Marcello Baird, que há um ano e meio trabalha na ONG Sou da Paz, fez seu mestrado e atualmente faz um doutorado especificamente sobre lobby – a ação de grupos de interesse sobre os políticos. Marcelo explica que, com as doações, a indústria de armas e munições “compra acesso aos (futuros) congressistas, que farão projetos de lei que beneficiem o setor, seja ampliando o direito de portar armas, seja reduzindo os impostos que incidem sobre esse tipo de negócio.”

O pesquisador cita como exemplo a relação entre a indústria de armas e o deputado federal Guilherme Campos, do PSD de São Paulo. De acordo com Baird, o político teria atuado como relator em matéria que daria benefícios fiscais a indústrias de armas e munições envolvidas em financiamento de sua própria campanha, em 2010. Campos deu parecer contrário ao Projeto de Lei 1450/2011, que aumentava em 5% a alíquota de imposto para empresas do setor.

Baird diz que “quanto mais armas disponíveis, mais homicídios. No Brasil, 70% dos 56 mil homicídios ocorridos todo ano são cometidos com o uso de armas de fogo”.