Brechós para roupas e sebos para livros, um novo mercado ganha forma e força em Lagarto. A saída financeira tem sido uma alternativa buscada geralmente por jovens estudantes que tentam adquirir algum recurso para se manterem na universidade. Dados do recém-extinto Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontam que o número de admissões e demissões na cidade se mantém estagnados, ou seja, mantendo fechada ainda as portas do desafogamento financeiro para uma população que cresce a cada ano.

Em Lagarto, nossa equipe contabilizou ao menos sete desses brechós, tendo a grande maioria deles surgido em 2018. Além do mais, o mercado não se restringe ao Centro – mesmo sendo um modelo comercial que permite vendas através das redes sociais, tendo como principal ferramenta o Instagram, é importante ressaltar que povoados como Colônia Treze funcionam como sede de empreendimentos do ramo.

“A moda sustentável não é só tendência, mas também extremamente necessária”.

– Letícia Aranha

Para Larissa Nascimento, de 21 anos, investir no negócio de usados serve de ajuda, inclusive, para que sua irmã possa ir ao psiquiatra. Segundo a administradora do brechó Ubuntu, “a ideia vem da necessidade de se ter uma ‘graninha'”, mas também de “ir contra o sistema capitalista que nos consome e se dar [a nós] o luxo de sair da caixinha ao consumir de forma consciente”.

Já para Letícia Aranha, estudante de Teatro na UFBA e que divide o tempo do brechó com a produção de peças para o seu ateliê na Colônia Treze, “antes de tudo vem o lado pessoal de trabalhar o desapego e diminuir o meu consumismo”.

Ela, que gerencia e às vezes produz o que é comercializado na Reza Natu, diz também que hoje compra “muito menos roupas e, quando compro, tento sempre consumir em outros brechós. Vem também o lado de criar seu próprio estilo e sair da regra de que sempre temos que ter roupas novas pra tudo”. No momento ela confecciona artigos para o carnaval.

Concorrência

Devido aos recentes escândalos públicos das fast fashion – problemas financeiros como a H&M que tem mais de U$D 4,3 bilhões em roupas não vendidas – e uma maior conscientização do público, expectativas de que brechós vão superar marcas como Zara e F21 parecem ser uma realidade cada vez mais possível.

O relatório da empresa ThredUp, sugere que o mercado de revenda de roupas dobrará de U$D 20 bilhões para U$D 41 bilhões até 2022, e pode responder por até 11% dos guarda-roupas.

As fast fashion ensinaram o público a pagar barato pelas roupas. Só que o método de produção destas é questionável e tem se envolvido em escândalos globais de exploração do meio ambiente, utilização de mão de obra em condições análogas à escravidão e de obsolescência programada.